Há Dois Anos
Esse texto é de uma amiga que precisava de um lugar para divulgar o texto espero que gostem e a sigam no twitter @MariJaExiste
  Quando cheguei, sabia que aquele dia seria difícil. Todas as segundas-feiras o são. Mas,não imaginei que seria o meu último. Isso nunca. Deixei minhas coisas espalhadas pelo
chão do quarto do meu namorado. Deixei mensagens sem responder na caixa de e-
mails. Deixei minha família pensar que eu estava bem. Até eu pensava!Cumpri com meu dever. Fui trabalhar, conversei com colegas, sorri. Fui ao medico. Ele ficou feliz por mim, pelo meu empenho, dedicação em fazer o tratamento. Eu fiquei feliz. Fiquei? Segui até meu outro destino. Estava atrasada, mas veria meu namorado e tudo ficaria bem. O portão estava trancado, não pude entrar. Foi quando meu desespero começou.
  Me senti sozinha, inútil. Fiquei vulnerável, abri a guarda. Pensei em voltar para casa,mas não consegui. Pensei em ir para qualquer outro lugar onde houvesse pessoas, mas fiquei presa em algum lugar entre a realidade e a inconsciência. Andei meio sem rumo, encontrei um banco e sentei. Tudo o que eu conseguia fazer era chorar. A tal felicidade que vinha sentindo esses dias simplesmente desapareceu. Senti que uma parte de mim estava morrendo e queria que a outra parte já estivesse morrido. Chorei por minutos que pareceram horas até ser jogada na realidade com aquele velho perguntando se alguém
tinha morrido.
  “Não. E cala sua maldita boca.” – gritei. Ele não se assustou e continuou me incomodando. Pensei no revólver que tinha em casa. Deveria te-lo carregado hoje.
Seria lindo ver aquilo! Um tiro, bem de perto, no meio daquela cabeça oca e mal amada
daquele homem da esquina.
  Entrei no primeiro ônibus que vi, meu maior desejo era sumir, poder chorar a minha dor sozinha, à vontade, sem que ninguém ficasse julgando ou pensando. Conforme o ônibus avançava pela avenida, minha vontade de desaparecer do mundo aumentava. Pensei em pegar uma muda de roupa, ir pra rodoviária e entrar em qualquer ônibus que tivesse. Ficar assim, rodando sem rumo, sem me preocupar. Pensei também em jogar todas as minhas coisas fora, andar sem rumo, sem saber de mais nada.
  Quando cheguei perto de casa, decidi descer, ir para casa, tomar um banho e dormir. A dor passaria. Não consegui chegar lá. Vi um caminhão vindo, joguei minha bolsa no chão e pulei na sua frente. Nesse minuto, meu namorado sentiu um calafrio, ele disse. Minha mãe acordou de um pesadelo. Eu finalmente consegui a paz que queria. Senti dor em todos os ossos do meu corpo. Nos músculos, mas a tristeza tinha ido embora. Me levaram ao hospital. Tentaram me fazer sobreviver. Mas, eu não queria. Eu sabia que aquela dor era tudo o que eu podia suportar. Jamais conseguiria conviver com aquela tristeza de novo. Hoje faz 2 anos que me suicidei. Hoje faz dois anos que aquele motorista está bêbado, que minha mãe surtou e sumiu no mundo e que meu namorado
não fala.
  Quando cheguei, sabia que aquele dia seria difícil. Todas as segundas-feiras o são. Mas,não imaginei que seria o meu último. Isso nunca. Deixei minhas coisas espalhadas pelo
chão do quarto do meu namorado. Deixei mensagens sem responder na caixa de e-
mails. Deixei minha família pensar que eu estava bem. Até eu pensava!Cumpri com meu dever. Fui trabalhar, conversei com colegas, sorri. Fui ao medico. Ele ficou feliz por mim, pelo meu empenho, dedicação em fazer o tratamento. Eu fiquei feliz. Fiquei? Segui até meu outro destino. Estava atrasada, mas veria meu namorado e tudo ficaria bem. O portão estava trancado, não pude entrar. Foi quando meu desespero começou.
  Me senti sozinha, inútil. Fiquei vulnerável, abri a guarda. Pensei em voltar para casa,mas não consegui. Pensei em ir para qualquer outro lugar onde houvesse pessoas, mas fiquei presa em algum lugar entre a realidade e a inconsciência. Andei meio sem rumo, encontrei um banco e sentei. Tudo o que eu conseguia fazer era chorar. A tal felicidade que vinha sentindo esses dias simplesmente desapareceu. Senti que uma parte de mim estava morrendo e queria que a outra parte já estivesse morrido. Chorei por minutos que pareceram horas até ser jogada na realidade com aquele velho perguntando se alguém
tinha morrido.
  “Não. E cala sua maldita boca.” – gritei. Ele não se assustou e continuou me incomodando. Pensei no revólver que tinha em casa. Deveria te-lo carregado hoje.
Seria lindo ver aquilo! Um tiro, bem de perto, no meio daquela cabeça oca e mal amada
daquele homem da esquina.
  Entrei no primeiro ônibus que vi, meu maior desejo era sumir, poder chorar a minha dor sozinha, à vontade, sem que ninguém ficasse julgando ou pensando. Conforme o ônibus avançava pela avenida, minha vontade de desaparecer do mundo aumentava. Pensei em pegar uma muda de roupa, ir pra rodoviária e entrar em qualquer ônibus que tivesse. Ficar assim, rodando sem rumo, sem me preocupar. Pensei também em jogar todas as minhas coisas fora, andar sem rumo, sem saber de mais nada.
  Quando cheguei perto de casa, decidi descer, ir para casa, tomar um banho e dormir. A dor passaria. Não consegui chegar lá. Vi um caminhão vindo, joguei minha bolsa no chão e pulei na sua frente. Nesse minuto, meu namorado sentiu um calafrio, ele disse. Minha mãe acordou de um pesadelo. Eu finalmente consegui a paz que queria. Senti dor em todos os ossos do meu corpo. Nos músculos, mas a tristeza tinha ido embora. Me levaram ao hospital. Tentaram me fazer sobreviver. Mas, eu não queria. Eu sabia que aquela dor era tudo o que eu podia suportar. Jamais conseguiria conviver com aquela tristeza de novo. Hoje faz 2 anos que me suicidei. Hoje faz dois anos que aquele motorista está bêbado, que minha mãe surtou e sumiu no mundo e que meu namorado
não fala.

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